Nossa Bandeira
"O Diário de Piracicaba". Uma de suas várias edições da década de 1950. Com desenho do artista Edson Rontani, o 9 de julho era lembrado com poesia de autoria de Guilherme de Almeida, enaltecendo os "Voluntários de Piracicaba".
Nossa bandeira !
Guilherme de Almeida
Bandeira da minha terra;
Bandeira das treze listas;
São treze lanças de guerra
Cercando o chão dos Paulistas !
Prece alternada, responso
Entre a cor branca e a cor preta;
Veias de Martim Afonso,
Sofaina do padre Ancheita !
Bandeira de bandeirantes,
Branca e rota de sorte,
Que entre os rasgões tremulantes
Mostrou as sombras da morte.
Riscos negros sobre a prata;
São como o rastro sombrio
Que na água deixava a chata
Das Monções, subindo o rio.
Página branca – pautada
Por Deus numa hora suprema,
Para que, um dia, uma espada
Sobre ela escrevesse um poema:
O poema do nosso orgulho
(eu vibro quando me lembro)
Que vai de nove de julho
A vinte e oito de setembro
Mapa de pátria guerreira
Traçado pela vitória:
Cada lista é uma trincheira;
Cada trincheira, uma glória !
Tiras retas, firmes : quando
O inimigo surge à frente,
São barras de aço guardando
Nossa terra e nossa gente.
São os dois rápidos brilhos
Do trem de ferro que passa:
Faixa negra dos seus trilhos
Faixa branca da fumaça
Fuligem das oficinas;
Cai que as cidades empoa;
Fumo negro das usinas
Estirado na garoa !
Linhas que avançam: há nelas.
Correndo num mesmo fito,
O impulso das paralelas
Que procuram o infinito
É desfile de operários;
É o cafezal alinhado;
São filas de voluntários;
São sulcos do nosso arado !
Bandeira que é o nosso espelho !
Bandeira que é nossa pista !
Que traz, no topo vermelho,
O coração do paulista !

Comentários
Postar um comentário